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um quadro de kandinsky, dois gps, dois tracksticks, câmeras mini-dv e celulares. ao contrário da maioria dos trabalhos em que textos ou desenhos são construídos a partir de percursos pela cidade, em /kandinsky by perdizes/, o quadro abstrato serve como ponto-de-partida para o percurso: dispositivo que questiona as práticas de mapeamento conforme acontecem no âmbito de um certo frenesi com precisão, quantidade de informações e outros impulsos que denunciam um desejo de constituir duplos exatos do mundo.

neste contexto, colocar um quadro abstrato sobre o mapa de uma área urbana é um gesto que permite gerar um percurso totalmente arbitrário e imprevisível, gesto de remapeamento que permite construir paisagens de mídia em que o dispositivo é mais importante que o lugar.

por três dias no final de semana de 24, 25 e 26 de outubro de 2008, duas expedições simultâneas foram organizadas para capturar dados de geolocalização, imagens, sons e videos no quadrilátero entre av. pompéia, av. dr. arnaldo, av. sumaré e rua turiassú, no bairro de perdizes na cidade de são paulo. num dos carros, nacho durán e denise agasssi fizeram o trajeto das linhas do quadro de kandinsky; no outro, marcus bastos e claudio bueno fizeram o trajeto das bolas do mesmo quadro.

todo o material produzido (tracks gravados com os gps e trackstick e vídeos gravados com celulares e câmeras mini-dv serviu) como ponto-de-partida para a criação de um arquivo de Flash em que círculos de vários tamanhos recriam o trajeto percorrido, usando informações de latitude e longitude para desenhar reconstruir no Flash o percurso.

os dados GPS funcionam como parâmetros para organização do mapa, numa estética de conversão de números em interface. os traços e círculos que surgem conforme o Flash é executado são traduções em dados tangíveis dos números colhidos durante o trajeto. conversão de resquícios do percurso em fragmentos de uma paisagem outra, que se faz pela decomposição das imagens e pela remissão a marcas sonoras do lugar percorridos. neste sentido, pode-se entender Kandinsky by Perdizes como uma reversão do procedimento rumo ao concreto das cores e formas na pintura do artista russo. aqui, os dados matéricos são números que evaporam em imagens, sons e movimento.