Cartografias são sempre imprecisas. Um aspecto importante de 2346, criado pelo LAT-23, é discutir a impossibilidade de mostrar num mapa tudo sobre um lugar. Cartografar é propor pontos-de-vista sobre espaços (na paisagem otimista de usuários de mapas abertos e coletivos) ou delinear marcas em territórios (no cenário pessimista da cartografia clássica de viés militar). Mesmo sobrepondo formas de ver a rua, 2346 só mostra a Augusta em fragmentos de um mosaico incompleto. Histórias que se entrelaçam contando dias e noites particulares ou genéricos, fatos e dados inúteis ou inusitados, casos e coisas viscerais ou desnecessárias. Ao ficcionalizar relatos e selecionar estatísticas de forma arbitrária, 2346 conta tanto narrativas saborosas e histórias ardidas quanto a impossibilidade de mostrar um lugar a partir do que ele tem de específico.
Qual a relação entre os preços dos aluguéis e a altitude de trechos da rua medida com GPS? Quantos litros de cachaça são vendidos num boteco de esquina? Quantas camisinhas são usadas numa noite lotada em um Hotel furreca da região? Quantos beirutes são vendidos num restaurante antigo e popular da Augusta? Quantos cigarros são comprados numa banca de revista? Quanto custa um táxi da Martins Fontes à Estados Unidos? 2346 apresenta estes e outros dados, em QR-CODES espalhados em bares na Augusta e mapa impresso / online, em que o público pode colaborar contando suas próprias experiências. 2346 completa uma trilogia de mapas paulistas em que o LAT-23 busca desconstruir formas tradicionais de cartografia.
